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Uma visão no horizonte decenal

A participação do petróleo na matriz energética brasileira em 2017 foi de, aproximadamente, 36%. Nos últimos anos, houve uma redução percentual deste energético na matriz nacional, tendência que deve continuar, como resultado do crescente aumento do uso de energias renováveis, principalmente eólica, solar e biocombustíveis.

Entretanto, a queda da participação do petróleo na matriz energética não significa redução de sua produção em termos absolutos. Ao contrário, estima-se que, nos próximos dez anos, a produção de petróleo no Brasil e no mundo aumentará, respectivamente, em cerca de 95% e 2,4%.

Por outro lado, a demanda mundial por petróleo poderá atingir o patamar de cerca 105 milhões de barris por dia (b/d) em 2027. O crescimento da demanda virá, principalmente, de países externos à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), particularmente da China e da Índia, que, juntas, responderão por metade deste incremento. Por outro lado, os países-membros da OCDE deverão sofrer uma redução de demanda de cerca de 5%, ou 4 milhões de barris por dia.

Já no caso do Brasil, a demanda de petróleo chegará a 2,5 milhões b/d em 2027. Entre 2017 e 2027, o setor energético é o que mais cresce no consumo final de energia, e o incremento da produção de petróleo e gás natural, assim como o de etanol em destilarias no País, contribuem fortemente para esse cenário. Embora haja um aumento significativo da participação das energias renováveis no Brasil, os derivados de petróleo mantêm-se como a principal fonte de energia, com cerca de 39% do consumo final em 2027, com um crescimento médio de 1,8% a.a. no decênio.

Em um cenário de aumento da produção brasileira de petróleo e de restrições em novos investimentos em refino, em 2027 o Brasil poderá exportar até 3,2 milhões b/d de petróleo, isto é, 62% do total produzido no País. Esse volume expressivo elevará o Brasil para a condição de um dos principais players de petróleo do mundo, podendo nos colocar entre os cinco maiores exportadores.

O cenário de exportação descrito anteriormente está associado a uma previsão de produção de petróleo de 5,1 milhões de b/d em 2027, muito relacionado às declarações de comercialidade de acumulações na região do pré-sal e também ao aumento da expectativa dos volumes recuperáveis finais dos campos sob contrato de cessão onerosa.

Em 2017 a produção diária média brasileira de petróleo foi de 2,6 milhões de b/d, sendo que o pré-sal representou cerca de 49% desta produção (1,3 milhões de b/d). A contribuição do pré-sal tende a aumentar nos próximos anos com a priorização da exploração e produção deste ambiente exploratório. Nos próximos cinco anos, dos dezenove projetos com entrada em produção previstos no Plano de Negócios da Petrobras 2018-2022, dezesseis são voltados para a região do pré-sal, principalmente nas áreas sob contrato de cessão onerosa. Assim, cerca de 78% da produção prevista de petróleo no Brasil em 2027 será decorrente do pré-sal, sobretudo dos contratos de cessão onerosa e partilha da produção.

Unidades do pré-sal previstas para entrar em produção nos próximos dez anos (áreas em laranja).

Para o desenvolvimento das reservas do pré-sal, além da necessidade de dutos de escoamento, existe a demanda por Unidades Estacionárias de Produção (UEP). Desta forma, para a produção de petróleo prevista entre 2018 e 2027 estima-se que sejam necessárias um total de 39 UEP, entre as já programadas, como os navios-plataforma do tipo FPSO, previstos nos Programas de Governo e nos Planos de Negócios das empresas operadoras, além de novos equipamentos necessários para a viabilização da produção. Todo este desenvolvimento levará a um aumento da atividade marítima na costa brasileira, não somente através do transporte de cabotagem, como também do transporte de longo curso para exportação.

As maiores contribuições para a produção total de petróleo, no decênio, permanecem sendo das unidades produtivas localizadas em águas ultra profundas, que respondem por cerca de 83% da produção nacional em 2027, e das unidades produtivas em águas profundas com cerca de 11%. Contudo não se pode deixar de citar as produções terrestres brasileiras que, embora menores, possuem extrema relevância no desenvolvimento industrial local e regional, gerando emprego e renda, principalmente nas Regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil.

Neste sentido, em 2017, a produção brasileira em terra atingiu cerca de 130 mil b/d de petróleo e 22 milhões de m³/d de gás natural, correspondendo a 5% e 20% da produção nacional total. Devido à baixa produção atual e pela tendência de redução destes valores nos próximos anos, desde janeiro de 2017 tem sido discutida, por inciativa governamental, a situação das atividades de exploração e produção (E&P) de petróleo e gás natural em terra, através do Programa de Revitalização das Atividades de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural em Áreas Terrestres (REATE), com o objetivo de propor e monitorar ações, projetos e políticas voltadas ao incremento das atividades de E&P de petróleo e gás natural neste ambiente exploratório.

Entre as principais ações do REATE estão a oferta permanente de áreas em terra; o incentivo ao aumento do fator de recuperação dos campos, como a redução de royalties da produção incremental; o acesso a dados de E&P; e a comercialização do petróleo e gás natural de campos terrestres de pequenas e médias empresas. Estima-se que com a revitalização das atividades industriais, de pesquisa e exploração neste ambiente, as curvas de produção de petróleo e gás natural terrestres se tornem ascendentes nos próximos anos.

Uma série de incertezas relacionadas aos riscos geológicos, de operação, de infraestrutura e econômicos podem influenciar direta ou indiretamente a produção brasileira de petróleo e gás natural. Os desafios da produção do pré-sal brasileiro têm sido bastante discutidos no setor, como os custos de transporte elevados, devido à localização das reservas a cerca de 300Km da costa; a composição diferenciada do gás natural em alguns campos, com elevado teor de gás carbônico (CO2), o que requer inovação tecnológica para sua produção; além dos aspectos relacionados à injeção do gás natural. Soma-se a estes, o desafio econômico na captação de investimentos para as atividades de exploração e produção de petróleo no Brasil. Estima-se que em dez anos os investimentos agregados necessários em todo o setor nacional de E&P fiquem entre US$ 365 bilhões e US$ 406 bilhões.

Mesmo com os resultados promissores do pré-sal, ainda há um longo caminho a ser trilhado na exploração de petróleo em território brasileiro, considerando que se trata de um país de dimensões continentais, com cerca 7 milhões de km² de área com depósitos sedimentares. Conforme o estudo do “Zoneamento Nacional de Recursos de Óleo e Gás”, produzido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do total de bacias sedimentares brasileiras, 59% apresentam algum interesse para atividades de E&P de petróleo e gás natural. Entretanto, deste total, 80% são consideradas de nova fronteira, ou seja, foram pouco ou nada exploradas.

O Zoneamento Nacional de Recursos de Óleo e Gás apresenta também o potencial das bacias sedimentares de nova fronteira e áreas não exploradas de bacias maduras, com uma estimativa volumétrica que permite a inferência de volumes recuperáveis de até 165 bilhões de barris de óleo equivalente (boe).

Considerando o cenário apresentado, o Brasil se configura como um mercado atrativo a investimentos no setor de exploração e produção de petróleo e gás natural. Não apenas pelas reservas e recursos potenciais que possui e pela diversidade geológica e petrolífera que oferece oportunidades para pequenas, médias e grandes empresas, mas também pela diversidade do setor energético brasileiro, que possibilita o uso de fontes energéticas diversas e muitas vezes complementares. Nesse país continental e com energias diversas, o petróleo tem seu momento favorável de ampliar as fronteiras e contribuir para o desenvolvimento do País.

Mapa de prospectividade das bacias sedimentares brasileiras.
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